Insônia

A duração do sono normal é bastante variável na população em geral e se altera com a idade. É por isso que algumas pessoas precisam de menos horas de sono que outras. Isto não indica insônia.

Na insônia há um prejuízo social ou funcional relacionado à falta de sono. Cerca de 60% da população apresenta insônia em algum momento da vida e até 21% refere impacto grave da insônia. São pessoas que, em maior ou menor grau, podem ficar com aparência cansada, sonolentas, além de apresentar deterioração do humor e da motivação, alterações de memória, baixa concentração e irritabilidade.

A sonolência diurna fica evidente ao assistir televisão, ir ao cinema ou teatro, ou em compromissos mais importantes como aulas e reuniões. Em alguns casos extremos, a pessoa pode adormecer enquanto conversa, come, caminha ou dirige, com o perigo de causar acidentes de trânsito.

Algumas pessoas podem apresentar comportamentos mal adaptativos do sono. Alguns deles são:

  • • Cochilar durante o dia
  • • Passar muito tempo na cama
  • • Ter esquema de sono errático e confuso
  • • Fazer coisas na cama que são incompatíveis com o sono (comer, trabalhar, assistir    televisão, por exemplo).
  • Como resultado, a insônia pode acontecer. Em pouco tempo, a preocupação constante com a possibilidade de não dormir e a luta para adormecer aumentam a frustração. Quanto maior a frustração, menor será a chance de conciliar o sono.

  • A insônia pode ser primária, ou seja, sem origem aparente, ou secundária, provocada por várias causas, que citaremos a seguir:

  • •Doenças clínicas (por exemplo, dor crônica)
  • •Disfunção endócrina (por exemplo, hipertireoidismo)
  • •Fadiga crônica
  • •Uso de medicações (por exemplo, medicamentos antiobesidade e alguns antidepressivos)
  • •Abuso crônico de sedativos e hipnóticos, incluindo o álcool
  • •Apnéia do sono
  • •Síndrome das pernas inquietas

Em alguns transtornos psiquiátricos, a insônia aparece como um dos sintomas. Veja os textos de Pânico, Transtorno da Ansiedade Generalizada e Depressão, para ter uma idéia mais profunda sobre o assunto.

Nos quadros ansiosos, habitualmente há dificuldade para adormecer, com chance de a pessoa despertar repentinamente no meio da noite. Nos quadros depressivos, pode haver dificuldade em conciliar ou manter o sono, ou ainda a pessoa não alcança um sono profundo e sofre com o despertar precoce. Contudo, estes não são os únicos transtornos psiquiátricos que apresentam a insônia como um dos sintomas.

Na fase de mania (euforia) do Transtorno Bipolar, a insônia aparece não como queixa, mas como sinal. Os pacientes não sentem necessidade de dormir e, antes dos tratamentos atuais, alguns chegavam a morrer de exaustão.

A insônia secundária é a mais freqüente. Assim, diante de quadros desse tipo, deve ser feita uma investigação adequada e aprofundada, pois aqui o tratamento da causa é essencial. Não adianta nada apenas tratar o sintoma; é preciso fazer um tratamento da causa também.

O tratamento sintomático deve oferecer uma somatória de estratégias cognitivo-comportamentais combinadas com o uso adequado de indutores do sono, que permitem o retorno aos hábitos de sono saudáveis e reparadores.

Orientações: Débora Kinoshita Kussunoki e Adriano Segal