Yoga


A importância da atividade física para uma mente saudável

Um estudo recentemente desenvolvido pela pesquisadora brasileira Simone Meyer Sanches, apontou para a importância da prática esportiva na saúde psicológica. O estudo evidenciou o fortalecimento da rede de apoio social e afetivo entre os pesquisados que praticavam esportes.

O esporte possibilitou aos pesquisados a experiência de bem-estar consigo mesmos, facilitando o estabelecimento de objetivos e metas para suas vidas, através da realização de uma atividade produtiva e cooperativa. Os participantes citaram também mudanças positivas relacionadas ao corpo, como o aumento da massa muscular, perda de peso, etc. Os pesquisados afirmaram que a prática esportiva contribuiu para o aumento da auto-estima, da apreciação do próprio corpo, da autoconfiança, da motivação e das habilidades relacionadas à competência social.

Também já está comprovado que a prática de atividade física diminui o risco de desenvolvimento de transtornos psiquiátricos como ansiedade e depressão. O médico suspeita de depressão quando o paciente apresenta quatro ou cinco sintomas clássicos que persistem por semanas. Alguns atentam para quem simplesmente não sente prazer nas coisas ou não vibra com a vida. Não há nenhum exame que aponte a depressão, mas o especialista pode pedir testes para afastar doenças como o hipotireoidismo (que pode levar a quadros depressivos).

O Yoga como atividade física, meditação e relaxamento

O Yoga é uma prática completa para uma mente saudável, pois combina atividade física com meditação e relaxamento. Além de auxiliar no tratamento da ansiedade e da depressão.

A palavra yoga, em sânscrito, significa união; união do corpo com a mente e as emoções. É a integração do pensar, sentir e agir. Quando agimos de acordo com o que pensamos e sentimos, encontramos a paz em nosso interior.

A prática engloba movimentos suaves para despertar o corpo, passando para posições que aquecem os músculos e articulações e aumentam a resistência física. Praticam-se posturas de equilíbrio e finaliza-se com relaxamento, exercícios respiratórios e meditação. Durante toda a prática, a atenção deve estar no corpo e nas sensações que as posturas provocam, é um momento de interiorização, que é o movimento contrário ao que fazemos diariamente, onde a atenção esta sempre voltada ao mundo externo. Os efeitos da prática se mostram diretamente no sistema nervoso central (SNC), trazendo calma e relaxamento.

Yoga é uma filosofia de vida milenar, que concilia exercícios físicos com relaxamento, visando um estilo de vida mais saudável, com mudanças nos padrões de comportamento. Os praticantes regulares de yoga apresentam uma redução de ativação simpática ao estresse mental e da ansiedade.

A Universidade de Boston, nos Estados Unidos, confirma o efeito ansiolítico do yoga. Os cientistas relacionaram a prática do yoga com o aumento no cérebro dos níveis do ácido gama-aminobutírico, ou GABA, na sigla em inglês, um neurotransmissor que diminui os estímulos nervosos e relaxa as células na massa cinzenta.

O GABA é o principal neurotransmissor inibitório do SNC. Ele está presente em quase todas as regiões do cérebro, embora sua concentração varie conforme a região.

A inibição da síntese do GABA ou o bloqueio de seus neurotransmissores no SNC, resultam em estimulação intensa, manifestada através de convulsões generalizadas.

A relação entre o GABA e a ansiedade evidencia-se no fato de que todos os ansiolíticos conhecidos, afora o meprobamato, facilitam sua ação. Seu efeito ansiolítico seria fruto de alterações provocadas em diversas estruturas do sistema límbico, inclusive a amígdala e o hipocampo.

"Pessoas com depressão apresentam uma drástica redução na quantidade de GABA", afirma Chris Streeter, chefe do trabalho americano. Os pesquisadores compararam pacientes que fizeram as posturas de yoga durante uma hora com pessoas que passaram o mesmo período lendo um livro. Logo depois, com a ajuda de exames de ressonância magnética, analisaram o teor de GABA no cérebro dos praticantes. Houve um aumento de 27% depois da sessão, enquanto que nenhuma alteração foi encontrada nos indivíduos do grupo de leitura.

A correta combinação de atividade física, meditação e relaxamento encontrada na prática do yoga é capaz de produzir um aumento da produção de GABA no cérebro, determinando um efeito redutor na ansiedade e na depressão.

Unifesp encontra melhora nos níveis de ansiedade e depressão com prática de Yoga

Trabalho realizado pela pesquisadora Thais Godoy, do Instituto de Medicina Comportamental do Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) encontrou resultados que demonstraram que os efeitos da Yoga melhoram os sintomas do humor e da qualidade de vida dos praticantes. Isso inclui significante melhoria do estado de saúde e satisfação de vida dos participantes.

O estudo verificou a eficácia da prática do Yoga como um recurso terapêutico, que pode ser utilizado como terapia complementar por qualquer indivíduo ou ainda como importante recurso nos tratamentos psicológicos ou psiquiátricos, indicados para qualquer tipo de problema comportamental.

O desenvolvimento de um programa de Yoga em um ambiente empresarial, como o executado neste estudo, sugere também que ao melhorar a qualidade de vida dos funcionários melhora também a sua produtividade. "O Yoga incentiva os praticantes a tomarem consciência de seu corpo e de suas tensões através de posturas físicas. Além disso, por focar o autoconhecimento, concentração e meditação, sua prática também pode contribuir para facilitar a autoconfiança e um sentimento pessoal de maior senso de controle e qualidade de vida", afirma Dr. Ricardo Monezi Julião de Oliveira, professor do curso de pós-graduação em Medicina Comportamental, do departamento de Psicobiologia da UNIFESP.

O cálculo da amostra foi realizado partindo de um projeto piloto contendo 15 indivíduos de um grupo experimental de uma empresa e 15 no grupo de controle (que não realizou a prática). Entre os diversos resultados obtidos, constatou-se que 68% dos indivíduos do grupo Yoga apresentavam índice mínimo de depressão, enquanto no grupo que não pratica apenas 39% apresentaram tal melhora. Outro dado importante foi o grau de ansiedade do grupo Yoga que apresentou grau mínimo de ansiedade (76%), sendo que os indivíduos do grupo de controle apresentaram apenas 7%.

Na comparação dos dois grupos (que praticam e os que não praticam), foram constados diferentes níveis de ansiedade antes e depois da inserção do Yoga em suas vidas. Só para se ter uma idéia, o grupo que pratica Yoga começou com 24% no nível mínimo, 52% no leve, 20% no moderado e 4% no grave. Ao final de três meses, o resultado foi de 19% no nível mínimo, 6% no leve e nenhuma pessoa mais nos níveis moderado e grave. Desta forma, concluiu-se claramente que o grau de ansiedade das pessoas diminuiu drasticamente após as práticas.

No item qualidade de vida que engloba questões relacionadas à satisfação com a vida e com a saúde, foi observada significativa melhora no final do programa, tanto para os praticantes como o integrantes do grupo que não praticaram Yoga.

Vale lembrar que a idade dos participantes variam de 20 a 45 anos de idade e a aplicação do programa com as técnicas de Yoga tiveram duração de três meses, com 50 minutos/aula para os praticantes, como para o grupo de controle, que serviu como parâmetro de comparação.

Questionários de avaliação clínica (qualidade de vida, depressão e ansiedade), com perguntas objetivas, foram interpretados por uma psicóloga da equipe de pesquisa. As técnicas de Yoga foram aplicadas em sequência estruturada, usando como referência, o Yoga Sutra de Patânjali, também conhecido como Ashtânga ou Oito Membros, onde se considera que os âsanas (postura físicas) são uma preparação para as técnicas meditativas e respiratórias, auxiliando na concentração e relaxamento ao final da prática.

OMS afirma a importância de tratar o estresse

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o estresse afeta hoje mais 90% da população mundial. Este fato preocupa a comunidade científica, uma vez que o estresse está associado à ocorrência de diversas doenças como patologias metabólicas, cardiovasculares, gastrointestinais, distúrbios do crescimento, câncer, depressão, distúrbios reprodutivos e doenças infecciosas.

As exigências da vida moderna, aliada às pressões e tensões do cotidiano profissional afetam a condição emocional, física e mental, interferindo na qualidade de vida, fazendo com que os indivíduos enfrentem crescentes problemas decorrentes do estresse moderno. Calcula-se que atualmente, o estresse atinge cerca de 60% dos executivos, sendo considerada a doença do século. Trata-se de um problema sócioeconômico que atinge pessoas ainda jovens, em idade produtiva e que geralmente ocupam cargos de responsabilidade, diminuindo sua capacidade produtiva e consequentemente gerando despesas diretas e indiretas.

Como a Yoga é um sistema filosófico-prático, que consiste em posturas físicas e respirações para harmonização do corpo e mente, e tendo evidências de que a execução regular dessa prática proporciona ao sujeito maior flexibilidade corporal, aumento da vitalidade, redução de pânico psicológico e redução de doenças cardiovasculares, o Yoga vem sendo uma das técnicas mais utilizadas para a diminuição dos efeitos nocivos do estresse.

Este artigo foi publicado em 2 de outubro de 2009.

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